Sexta-feira, 20 de Janeiro de 2012

Quem sou eu?

 Durante uma aula de português pediram-me para escrever um auto-retrato. A primeira coisa que pensei foi "Como é que isso se faz?". Então alguém que pensou o mesmo que eu resolveu verbalizá-lo, algo que julguei eu, me iria dar consequentemente resposta à minha questão... Mas ao contrário disso baralhou-me ainda mais, a professora respondeu "Tenta responder à pergunta: Quem sou eu?".

 Apesar do trabalho não ser para fazer naquele instante, dei comigo a gatafunhar numa folha de papel (sim, eu não abandonei totalmente as minhas adoradas folhas de papel!!). As palavras teimavam em não sair e de cada vez que escrevia 5 palavras riscava 4 delas... não foi uma tarefa fácil, mas após várias horas de volta de uma simples questão consegui escrever qualquer coisa decente para apresentar.


 Haverá algo mais difícil do que nos caracterizarmos a nós mesmos? Escrever numa folha de papel aquilo que somos e esperar que as palavras escolhidas não se tornem traiçoeiras na hora de representarem algo mais complexo do que qualquer outra coisa, aquilo que representa a ínfima palavra "eu". Bem, traiçoeiras elas são sempre... Até mesmo na simples pergunta "Quem sou eu?" as palavras ganham novas formas e tornam algo tão simples como "Sou a Íris." num verdadeiro quebracabeças.

 Ao contrário de inúmeras outras perguntas que me entram na cabeça e em seguida esvoaçam, esta invadiu-me a mente e desde então ecoa sistematicamente à espera de resposta.

 Quem sou eu? Boa questão!... mas não tenho resposta para ela. Aliás, acho que ninguém tem!

 Em cada segundo sou um novo "eu", todos os minutos os meus olhos veêm algo diferente, todas as horas aprendo coisas novas, todos os dias algo à minha volta muda, todas as semanas apercebo-me de diferentes realidades, todos os meses mudo a minha forma de ver o mundo, todos os anos conheço pessoas novas e durante toda a minha vida vou crescendo.

 Todos nós somos alguém. Alguém que muda, alguém que cresce, alguém que todos os dias descobre um novo "eu", alguém que apenas é alguém porque vive, porque cresce, porque muda... Assim como todos os que são alguém, eu cresço, eu mudo, eu vivo!

 Quem sou eu? Talvez seja o que querem que eu seja, talvez seja uma parte de cada um e outra tanta de ninguém, talvez seja apenas mais um, talvez seja unicamente eu!

 Ontem fui a brisa que sobra pela manhã, hoje sou a chuva que cai dos céus e amanhã serei o silêncio da noite. De manhã sou o sol a despertar, de tarde sou a agitação de infância e de noite sou a lua solitária. Em Janeiro sou o gélido sopro do vento. Em Fevereiro sou a felicidade espelhada nos olhos. Em Março sou a ambiguidade de um único dia. Em Abril sou a liberdade de existir. Em Maio sou a ansiedade pelo desejado. Em Junho sou a intensidade da despedida. Em Julho sou as labaredas da imaginação. Em Agosto sou o som do oceano. Em Setembro sou a alegria do reencontro. Em Outubro sou uma folha em queda livre. Em Novembro sou o crepitar da lareira. E em Dezembro sou a magia das fantasias.

 Quem sou eu? Sou tudo e nada, sou uma mistura de sentimentos e realidades, sou a luz e a escuridão, sou o certo e o errado, sou o friu e o calor, sou quem sou.


 Apesar de não haver palavras para responder à pergunta "Quem sou eu?", cada um pode ter a sua defenição de "eu". E todas elas estão correctas, pois o "eu" é interminável, é a palavra mais completa de todas, mas também a mais vazia... Para mim a defenição de "eu" é simples:

"Eu": tudo e nada. 

Publicado por irispaz às 19:47
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